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Artigos

Nesta seção, apresentamos artigos científicos produzidos por pesquisadores(as) do HGEL.

GUEIROS, L. O ensino de Língua Portuguesa na História da Linguística brasileira. Cadernos de Linguística, Campinas, v. 7, n. 5, p. e1003, 2026.

O artigo apresenta uma interpretação historiográfica da reflexão sobre o ensino de português promovida pela linguística brasileira, de sua institucionalização, na década de 1960, à sua consolidação e diversificação no contexto universitário, no final dos anos de 1990. Investiga-se de que modo esse debate se consolida como parte da agenda de uma linguística de orientação aplicada e como, e em que medida, essa discussão acompanha o desenvolvimento da ciência da linguagem praticada no Brasil no período delimitado. O estudo situa-se no campo da Historiografia da Linguística, a partir do qual se busca compreender a construção da história da linguística brasileira e da discussão sobre o ensino de português em seu contexto sócio-histórico e socioinstitucional.

CHAPANSKI, G.; POLACHINI, B. S.; FARIAS, C.; FERREIRA, E. G. M.; MESQUITA, F. A.; VIEIRA, F. E.; CORRÊA, I. E. J.; CARMO, L. do; ARAUJO, L. S. de; COELHO, O. Museus e acervos linguísticos: entre a memória e a experiência. Cadernos de Linguística, Campinas, v. 7, n. 5, p. e1001, 2026.

O artigo examina acervos (meta/epi)linguísticos no cenário brasileiro contemporâneo, compreendendo-os sob o conceito ampliado de arquivo e discutindo suas implicações para a Historiografia Linguística. Sustenta-se que esses acervos não constituem repositórios passivos de fontes, mas construtos dinâmicos do conhecimento, vinculados a contextos históricos, institucionais e socioculturais específicos. Nesse quadro, analisam-se seis iniciativas: o Centro de Documentação em Historiografia Linguística (USP); o Catálogo de Gramáticas da Língua Portuguesa (HGEL/UFPB); o Dossiê de Gramáticas e Dicionários do Português (Fundação Biblioteca Nacional; Fundação Casa de Rui Barbosa); o Web-Museu da Gramática (UFU); o Museu da Língua Portuguesa; e o Museu de Itinerários Linguísticos (Instituto Serendipe).

MESQUITA, F. A.; VIEIRA, F. E. Gramaticografia e subordinação de orações: horizonte de retrospecção das primeiras gramáticas brasileiras. Revista Metalinguagens, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 188-228, maio 2026.

O artigo insere-se no campo da Historiografia da Linguística, mais especificamente na historiografia da gramaticografia, e tem como objeto o conhecimento sobre a subordinação de orações na história da gramática no Ocidente. O objetivo é delinear o horizonte de retrospecção das primeiras gramáticas brasileiras de língua portuguesa, com foco nos séculos 17, 18 e início do 19. A análise evidencia o papel decisivo do pensamento de Port-Royal e, sobretudo, dos gramáticos franceses do século 18 na sistematização da subordinação de orações, bem como sua posterior apropriação na gramaticografia portuguesa oitocentista. Destaca-se ainda a contribuição de Soares Barbosa para a consolidação de um modelo sintático baseado em funções, central para a tradição gramatical brasileira do século 19.

MESQUITA, F. A.; RIBEIRO, N. T. do N. Gestos glotopolíticos para a (re)construção de uma norma-padrão brasileira: uma análise da Gramática do Português Brasileiro escrito (2023). Letras & Letras, Uberlândia, v. 42, e04215, p. 1-22, 2026.

O artigo analisa os movimentos normativos adotados na "Gramática do português brasileiro escrito" (2023), dos linguistas Francisco Eduardo Vieira e Carlos Alberto Faraco. A partir de uma perspectiva glotopolítica, busca-se comparar sua abordagem da colocação pronominal com a de algumas gramáticas tradicionais brasileiras. Com base nos quatro princípios gerais da colocação pronominal do português brasileiro propostos em Vieira e Faraco (2023), a análise aponta para deslocamentos em relação à tradição, como o estabelecimento da próclise como regra geral e a não recomendação da mesóclise. Além disso, enquanto as obras tradicionais tendem a priorizar exemplos criados pelo gramático ou extraídos do cânone literário, a obra adota em seu exemplário a escrita acadêmica e jornalística contemporânea, reforçando seu compromisso glotopolítico de (re)construção da norma-padrão brasileira.

DEUS, K. R. G. de; FERREIRA, E. G. de M.; ARAÚJO, R. F. de O. Reflexões sobre a língua como instituição social em "A Vida da Linguagem", de W. D. Whitney (2010). Scripta, Belo Horizonte, v. 29, n. 65, p. 403-428, 2025.

O artigo examina os principais conceitos teóricos explorados no livro "A vida da linguagem", de William Dwight Whitney (2010), com foco em suas considerações a respeito da língua como fato ou instituição social. Trata-se de um estudo de natureza bibliográfica, em que se busca descrever e interpretar os fatos sociais da linguagem conforme apresentados na obra. Entre os resultados, observa-se que a comunicação é concebida como o princípio que impulsiona o indivíduo em direção ao desenvolvimento da linguagem. O indivíduo é um ser ativo na sociedade, capaz de agir sobre ela e responsável pela disseminação e pelas transformações das línguas. A sociedade, por sua vez, delimita a atuação dos sujeitos, impõe as regras e os meios de utilização da linguagem, institui seus signos e os repassa, por meio das tradições, às gerações futuras.

VIEIRA, F. E.; FARACO, C. A. Modelos sintáticos na gramaticografia ocidental: dos casos às funções. Alfa: Revista de Linguística, São José do Rio Preto, SP, v. 69, p. 1-31, 2025.

O artigo investiga, ao longo da história da sintaxe, movimentos retóricos e descritivos que levaram a gramaticografia ocidental da análise baseada nos casos latinos à análise baseada em funções sintáticas. Os resultados indicam que a ambivalência da categoria “caso”, compreendida como fenômeno tanto flexional quanto lógico-semântico desde Nebrija (1492), só foi finalmente resolvida pela gramaticografia francesa de meados do século 18. O estudo abre um percurso investigativo relevante: explorar as repercussões da mudança de modelos sintáticos dos casos às funções na continuidade da gramaticografia ocidental, sobretudo de língua portuguesa.

FARACO, C. A. As origens da gramática do português: uma abordagem historiográfico-crítica. Working Papers em Linguística, Florianópolis, v. 26: História do português brasileiro: uma homenagem ao professor Ataliba de Castilho, p. 10-35, 2025.

Este texto é uma reflexão crítica sobre as origens da gramática do português, em especial sobre a crença de que a gramática tradicional padroniza os usos, tendo como referência os textos literários. Busca-se mostrar que é uma crença que, em geral, não corresponde à realidade, na medida em que, nas obras gramaticais tradicionais, predominam (quando não são únicos) os dados criados pelo próprio autor. Não há, em nenhuma delas, um corpus literário do qual se parte para as suas asserções e regras. Depois de um breve histórico da constituição da gramática tradicional, analisa-se, especificamente, as origens da gramática do português, mostrando que ela se fez, efetivamente, pela transposição da doutrina consolidada na tradição gramatical latina e pela acomodação nela da língua vernácula. A fonte da normatividade não foi propriamente o uso como tal, mas o que já estava dito nas gramáticas latinas.

BATISTA, L. de O; VIEIRA, F. E. Conhecimentos linguísticos explorados em provas de concursos públicos: conteúdos e níveis de análise privilegiados. Letras, Santa Maria, v. 34, n. 1, p. 1-15, e89179, Edição Especial, 2025.

Os autores analisam os conteúdos e os níveis de análise linguístico-gramatical privilegiados em provas de concursos públicos nacionais. O corpus é constituído por programas de estudo e por questões objetivas de certames realizados no intervalo de dez anos (2010-2019). Os resultados atestam uma maior recorrência de conteúdos que privilegiam a abordagem de aspectos morfossintáticos da língua numa dimensão predominantemente normativa, seguidos da exploração, embora em menor proporção, de aspectos semânticos e textuais.

MESQUITA, F. A.; VIEIRA, F. E. Procedimentos metodológicos para a construção de epi-historiografias: o caso "Pires Ferreira" (1868-1930). Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 19, p. 1-36, 2025.

O artigo sistematiza alguns procedimentos metodológicos possíveis para a construção de “epi-historiografias” (Swiggers, 2010), atividades que resultam em materiais documentais selecionados, organizados e descritos pelo historiógrafos da Linguística em apoio às suas práticas interpretativas. Os procedimentos apresentados podem ser replicados ou adaptadas por outros pesquisadores no processo de constituição e exploração de epi-historiografias. O artigo traz exemplos concretos de caminhos percorridos por pesquisas historiográficas com o intuito de trazer à cena aberta os bastidores que precedem a escrita da história do conhecimento linguístico.

MESQUITA, F. A.; VIEIRA, F. E. Diretrizes teórico-metodológicas para a realização de pesquisas em historiografia da gramaticografia. Confluência, Rio de Janeiro, n. 68, p. 37-80, jan.-jun. 2025.

O artigo desenvolve algumas diretrizes teórico-metodológicas que podem fundamentar diferentes pesquisas envolvendo gramaticografia, domínio de ação metalinguística, descritiva e normativa dos gramáticos. A natureza do artigo é meta-historiográfica, no sentido de promover uma reflexão crítica e sistematizada sobre as práticas de pesquisa em Historiografia da Linguística, com ênfase em seus aspectos teóricos ou metodológicos. Argumenta-se que os estudos no campo da historiografia da gramaticografia são relevantes por traçar narrativas que reconstroem relações de (des)continuidades entre diferentes formas de abordagem de questões gramaticais, o que pode ajudar pesquisadores e professores de língua a terem uma compreensão crítica e historicamente situada da constituição desses conhecimentos como objeto de investigação e ensino.

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