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Artigos

Nesta seção, apresentamos artigos científicos produzidos por pesquisadores(as) do HGEL.

MESQUITA, F. A. O componente didático da Grammatica portugueza: 1º anno para uso dos cursos primários (1932 [1905]), de Julio Pires Ferreira (1868-1930). Cadernos de Pós-Graduação em Letras, São Paulo, v. 24, n. 2, p. 82‑99, 2024.

Este artigo analisa o componente didático da "Grammatica portugueza: 1º anno para uso dos cursos primarios", de autoria do professor e gramático Julio Pires Ferreira, publicada pela primeira vez em 1905 e adotada em escolas do estado de Pernambuco nas cinco primeiras décadas do século 20. Os movimentos analíticos estão ancorados no aporte teórico-metodológico da Historiografia da Linguística, nos termos de Swiggers (2012, 2019), Koerner (2014) e Altman (2012). Os resultados apontam que a obra apresenta caráter preponderantemente prático, com definições simplificadas e concisas e com a inserção de exercícios que, em sua maioria, abordavam conhecimentos relacionados à análise metalinguística e à norma-padrão.

MESQUITA, F. A.; VIEIRA, F. E. As propostas de ensino de português nas Notas sobre a Lingua Portugueza, de Julio Pires Ferreira (1868-1930). Revista Linguasagem, São Carlos, v. 45, n. 1, p. 38-62, 2024.

Publicado no número temático “Historiografia Linguística” (Linguasagem, v. 45, n. 1, 2024), este artigo analisa as propostas de ensino de português que podem ser identificadas nas duas edições das ‘Notas sobre a Lingua Portugueza’, de Julio Pires Ferreira (1868-1930), obra destinada ao uso escolar dos cursos secundários de Recife (PE), no final do século 19 e início do século 20. Entre outros pontos, a análise revela que, na reedição da obra de Pires Ferreira, a reivindicação inicial de escolarização dos estudos em linguística histórico-comparativa é substituída pela reprodução dos conteúdos gramaticais tradicionalmente previstos nos programas de ensino e nas gramáticas de feição prática.

FARACO, C. A. O português no contexto político das grandes línguas internacionais. Lingue e Linguaggi, Salento (Itália), v. 57, Edição Especial, p. 57-71, 2023.

Neste artigo, é apresentada uma discussão crítica da situação do português como língua internacional. É apontado que, na última década, houve esforços hesitantes para criar uma gestão política multinacional da língua pela revitalização do Instituto Internacional da Língua Portuguesa. Argumenta-se aqui que esses esforços foram completamente infrutíferos e mostraram concretamente que uma gestão política multinacional da língua é impossível. Se a futura fragmentação do português em uma família de línguas parece bastante inevitável, as políticas nacionais parecem ser mais eficazes. Nesse sentido, a recente criação do Instituto Guimarães Rosa para promover o português brasileiro e a cultura brasileira pode ser vista como uma iniciativa importante na direção certa.

MARIS, M.; VIEIRA, F. E. Livro didático de língua portuguesa: onde fica a gramática no reino do texto? Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 17, p. 1-32, 2023.

Este artigo investiga a abordagem dos conhecimentos gramaticais num livro didático de Língua Portuguesa em consonância com as orientações teórico-metodológicas da BNCC. O estudo, situado no campo da Linguística Aplicada, indica haver aproximações e distanciamentos da proposta didática do material com, de um lado, as diretrizes epistemológicas da gramática tradicional (cf. Vieira, 2020) e, de outro, os princípios pedagógicos da tradição sociodiscursiva (cf. Gueiros, 2019). O tratamento dos poucos fenômenos morfossintáticos mencionados pelos autores parece estar sempre subordinado à análise da macroestrutura textual e discursiva da língua, resultando num conjunto assistemático de conteúdos, deslocados da rede conceitual e categorial que encadeia os conhecimentos da tradição gramatical.

FERREIRA, E. G. de M. Aspectos sociais da linguagem nas ideias de William Dwight Whitney (1827-1894): notas historiográficas. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 17, p. 1-31, 2023.

Este artigo busca resgatar aspectos sociais da linguagem no pensamento de William Dwight Whitney (1827-1894) a partir de uma perspectiva historiográfica (cf. Koerner, 1996; 2014; Swiggers, 2013; 2019). As análises centram-se no livro "The life and growth of language" (WHITNEY, 1875), em que o autor apresenta um esboço da ciência linguística e reúne suas principais ideias. Primeiro, contextualiza-se autor e obra em relação ao clima de opinião do século 19 e sua importância na história da Linguística. Na sequência, examina-se aspectos sociais que atravessam as ideias linguísticas do autor na obra, considerando-se o que caracteriza a vida da linguagem, os processos de mudanças linguísticas e as participações do indivíduo e da sociedade na vida da linguagem.

BATISTA, L. de O.; SANTIAGO, T. de L. Nomenclatura Gramatical Brasileira sob a perspectiva da Política Linguística. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 16, n. 2, p. 554–588, 2022.

A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) foi instituída em 1959 pela Portaria Ministerial nº 36 de 28 de janeiro do mesmo ano, com o objetivo declarado de simplificar e uniformizar a metalinguagem utilizada no espaço educacional face à diversidade terminológica existente à época. Sendo produto de uma política linguística voltada para o ensino, a NGB repercutiu de modo significativo não apenas nas práticas pedagógicas dos professores de Língua Portuguesa, em sala de aula, como também na reconfiguração dos materiais gramaticográficos. Considerando os resultados dessa política, ecoados até hoje, e o contexto macrossocial fundamental ao seu delineamento, buscamos analisar, à luz das Políticas Linguísticas, o processo de criação desse documento.

BARBOSA, T. R.; VIEIRA, F. E. The Presence of Traditional Grammar in English Language Didactic Materials. International Journal of Language & Linguistics (Online), v. 9, n. 3, p. 100-107, sept. 2022.

Brazil’s National Curricular Common Base establishes guidelines for basic education, aligning with linguistic functionalism by recommending that Portuguese and English instruction focus on practical language use and contextualized content. However, the "traditional paradigm of grammatization" (Vieira, 2018) prevails in many classrooms, emphasizing metalinguistic teaching of the "correct" language. This research analyzes a 9th-grade English textbook used in private schools in João Pessoa, Paraíba, to examine whether the explanation of Reported Speech follows a prescriptive formalist approach or incorporates functionalist elements. Results indicate that the traditional paradigm dominates, focusing on decontextualized utterances without integrating textual and discursive knowledge.

MARIS, M. Aspectos sintáticos e prosódicos do sistema de pontuação: notas sobre a gramatização do português quinhentista. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 16, p. 410-448, 2022.

Este estudo, situado na Historiografia da Linguística, procura identificar e interpretar os aspectos sintáticos e prosódicos a partir dos quais os sinais de pontuação são normatizados durante os Quinhentos. Para tanto, o tratado de Pero Magalhães de Gândavo (1574) foi delimitado como corpus, mas dados sobre os sinais de pontuação utilizados/normatizados em manuscritos medievais, em impressos renascentistas e na gramática de João de Barros (1540) também integram as notas aqui desenvolvidas. Os resultados evidenciam que, desde os primeiros gestos de gramatização do português, o sistema de pontuação já era apresentado a partir de confluências entre sintaxe e prosódia, ou entre a delimitação de constituintes oracionais e a demarcação de pausas próprias à entonação.

FERREIRA, E. G. de. M. Norma, variação e mudança linguísticas nas apresentações das gramáticas de Costa Duarte (1829), Manuel Beserra (1861) e Julio Ribeiro (1881). Revista da Anpoll, v. 52, n. 1, p. 220–235, 2021.

Situado na relação entre Historiografia da Linguística e Sociolinguística Variacionista, este artigo objetiva analisar como gramáticas brasileiras oitocentistas apresentam os conceitos de norma, variação e mudança linguísticas. Toma-se como fontes primárias as gramáticas de Costa Duarte (1829), Manuel Beserra (1861) e Julio Ribeiro (1881). Como resultados, destaca-se que, a despeito da ausência de um paradigma variacionista estabelecido nas obras brasileiras do século 19, já se encontram a abordagem da norma tanto numa perspectiva “idealista” quanto “descritivista”, a variação diastrática em evidência e a mudança linguística como transformações e aperfeiçoamentos na língua ao longo do tempo.

FARACO, C. A.; VIEIRA, F. E. A linhagem empirista na gramaticografia do século 18. Revista da Abralin, v. 20, p. 464-492, 2021.

Neste artigo, discutimos aspectos do pensamento gramatical francês do século 18 pelo seu impacto na gramaticografia de língua portuguesa. Nesse século, predominou uma postura epistemológica que refletiu diretamente nos estudos gramaticais, dando origem a uma linhagem que classificamos como empirista. Uma historiografia da gramaticografia de língua portuguesa deve considerar a natureza epistemológica dessa linhagem empirista, tanto quanto das outras duas, a latinizada e a racionalista. Assim, apresentamos alguns aspectos da linhagem latinizada e alguns gestos de refutação realizados por gramáticos racionalistas. Em seguida, caracterizamos a linhagem empirista e ilustramos suas diretrizes a partir da análise dos "Rudimentos da Grammatica Portugueza", de P. J. da Fonseca (1799).

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