Capítulos de livros
Nesta seção, apresentamos capítulos de livros escritos por pesquisadores(as) do HGEL.

FERREIRA, E. G. de M. As Regras da lingua portugueza, espelho da lingua latina, de Jerónimo Contador de Argote (1725), e a gramatização da colocação pronominal: apontamentos historiográficos. In: LAU, H. D. et al. (org.). Linguagens em múltiplas faces: uma agenda de estudos teóricos e aplicados. São Paulo: Pimenta Cultural, 2023. p. 494-514.
O capítulo discute a abordagem da colocação pronominal nas “Regras da Lingua Portugueza, espelho da lingua latina” (1725), de Jerónimo Contador de Argote (1676-1749), e suas motivações e implicações no processo de gramatização do português no século 18. Para tanto, busca-se resgatar o contexto histórico da obra, considerando-se a atmosfera social e intelectual setecentista e a biobibliografia do autor, e compreender as ideias relacionadas ao posicionamento dos pronomes, analisando-se definições, tratamento normativo e exemplário.

FARACO, C. A. As relações galego/português pelo olhar dos filólogos brasileiros. In: ABRAÇADO, J.; LAGARES, X. C. (org.). O galego e o português: o passado presente. São Paulo: Parábola Editorial, 2023. p. 27-37.
O texto busca registrar e comentar o que filólogos brasileiros disseram a propósito da relação histórica do galego com o português. Formula-se uma explicação para os malabarismos expositivos a que esses filólogos tiveram de recorrer, muitas vezes, para manter o português em posição de destaque frente ao galego, estipulando, inclusive, uma origem histórica quase autônoma para o português. Faz-se uma visita às principais gramáticas históricas escritas no Brasil. O espectro de fontes vai da primeira dessas gramáticas, escrita por Pacheco da Silva Jr. e publicada em 1878, até o trabalho de Silveira Bueno, "A formação histórica da língua portuguesa", publicado em 1954.

LIMA, F. R. S.; VIEIRA, F. E. Teorias linguísticas e ensino de gramática. In: ESVAEL, E. V. da S.; PEDROSA, J. L. R. (org.). Linguística e ensino: ensaios, relatos e propostas para sala de aula. João Pessoa: Editora UFPB, 2022. p. 16-38.
Este ensaio apresenta algumas diretrizes de quatro empreendimentos epistemológicos da linguística contemporânea – estruturalismo, gerativismo, funcionalismo e sociolinguística – e as relaciona ao ensino de gramática na Educação Básica. Diferentes teorias, embora tratem o objeto língua a partir de pontos de vista distintos, podem ser acionadas diante da necessidade de uma ampla e efetiva compreensão dos fenômenos da linguagem no ambiente pedagógico. Por mais que haja uma tradição de pesquisa predileta conduzindo nossa prática em sala de aula, o olhar teórico diversificado favorece uma abordagem pedagógica mais consistente dos fenômenos da linguagem.

FARACO, C. A. Pedagogia da Variação Linguística: desafios e paradoxos. In: BRANDÃO-SILVA, F.; ROMUALDO, E. C.; PEREIRA, H. B. (org.). Da Variação Linguística à “Pedagogia da Variação”: descrição e ensino de português. São Carlos: Pedro & João Editores, 2022. p. 51-66.
A questão da variação linguística, embora seja constitutiva do modo como a linguística pensa a realidade da linguagem, ainda não alcançou positivamente o senso comum. Isso tem inúmeras consequências para o encaminhamento de práticas pedagógicas sociolinguisticamente informadas. O texto compara a repercussão da linguística no senso comum com a recepção de outras ciências. Na sequência, discute a cultura do erro que fundamenta a história normativa do português brasileiro. Por fim, defende um projeto coletivo de difusão de uma cultura linguística positiva que sustente um padrão flexível, contemplando usos variáveis relacionados a diferentes gêneros textuais da fala e da escrita.

GUEIROS, L.; VIEIRA, F. E. O que é Historiografia da Linguística? In: PEDROSA, J. L. R.; VIEIRA, F. E. (org.). Linguística e formação do professor de língua portuguesa: múltiplas orientações. João Pessoa: Editora UFPB, 2022. p. 173-193.
Este capítulo apresenta algumas das principais diretrizes do campo disciplinar Historiografia da Linguística (HL). O texto, de caráter introdutório, objetiva despertar no leitor o interesse pela área, cujos resultados de trabalho têm trazido contribuições importantes à compreensão do conhecimento sobre a linguagem e as línguas em sua dimensão histórica. Na primeira parte, discute-se a especificidade da HL nos estudos linguísticos e discorre-se sobre questões teórico-metodológicas que sustentam a investigação historiográfica; na segunda parte, são apresentadas ações de pesquisa em HL desenvolvidas pelo grupo "HGEL – Historiografia, Gramática e Ensino de Línguas".

VIEIRA, F. E.; DANTAS, T. N. A gramática escolar mais utilizada por professores de português no Cariri Ocidental da Paraíba. In: NUNES, C. B.; TAVARES, C. R. (org.). A língua em foco no Nordeste brasileiro: d'além das capitais. Campinas: Pontes Editores, 2021. p. 309-338.
Este capítulo apresenta parte dos resultados de um estudo em Linguística Aplicada, com foco no ensino de gramática e nos usos de instrumentos gramaticais no Cariri paraibano. O projeto, intitulado "A virada linguística nas gramáticas escolares de língua portuguesa" (2015-2016), foi coordenado por Francisco Eduardo Vieira. Este texto, em particular, busca responder às seguintes perguntas: quais são as gramáticas mais utilizadas nas escolas do Cariri da Paraíba? O que essas gramáticas entendem por “português” quando nomeiam a língua que descrevem/prescrevem? Essas obras consideram que aspectos morfossintáticos na descrição da língua dos brasileiros?

MARIS, M. O lugar da tradição gramatical nas práticas de análise linguística: refletindo sobre a concordância verbal na escola. In: SOUSA, A. S. et al. (org.). Linguagem e ensino: pesquisas e práticas pedagógicas. Caxias: EDUEMA, 2021. p. 154-168.
Este capítulo discute o apagamento e o deslocamento da tradição gramatical operados pelo modo como têm sido interpretados e implementados os fundamentos da chamada prática de análise linguística (cf. Geraldi, 2003; Mendonça, 2006). Para isso, resgata e amplia uma das análises que integram a dissertação de mestrado da autora (cf. Maris, 2016), utilizando como recorte o trabalho sobre concordância verbal desenvolvido por uma professora da rede municipal de Recife/PE numa turma de ensino fundamental. A partir das análises, questiona a dicotomia entre análise linguística e tradição gramatical e tece reflexões sobre o lugar da tradição gramatical na contemporaneidade.

SILVA, A. R. C.; VIEIRA, F. E. Mudança linguística e português do Brasil numa gramática escolar dos anos 1920. In: PEREIRA, R. C. M.; ALVES, G. Â. dos S.; LEITE, J. E. R. (org.). Pesquisas em Linguística: abordagens teóricas e aplicadas. João Pessoa: Editora UFPB, 2021. p. 245-259.
Este capítulo discute a abordagem da mudança linguística e do português do Brasil na Grammatica Portugueza: Curso Superior (1920), de João Ribeiro (1860-1934). A análise se fundamenta nas “camadas do conhecimento linguístico” (Swiggers, 2019), categorias teórico-analíticas que possibilitam investigar a complexidade dinâmica do conhecimento linguístico-gramatical por meio da observação de suas continuidades e rupturas. Busca-se compreender o contexto histórico da obra, sua visão geral sobre língua e gramática, a condução normativa envolvendo a apresentação de dados e técnicas de análise, e a natureza do exemplário gramaticográfico.

GUEIROS, L. A diversidade da tradição sociodiscursiva em discussões sobre ensino de português no Brasil (1970-1999): teorias, grupos e eixos privilegiados. In: COELHO, O. (org.). Fontes para a Historiografia Linguística: caminhos para a pesquisa documental. São Paulo: Pontes, 2021. p. 43-56.
Com base em análise documental e em interpretação historiográfica, este capítulo examina os efeitos da Tradição Sociodiscursiva (TSD) (Gueiros, 2019) na discussão sobre ensino de português promovida pela linguística brasileira entre as décadas de 1970 e 1990. O enfoque recai, especialmente em duas questões: (i) a caracterização da diversidade de empreendimentos teórico-metodológicos e de grupos de especialidade que orientam, no período, a discussão sobre ensino fundamentada pelas diretrizes da TSD; e (ii) os eixos de ensino de português privilegiados nessas reflexões pedagógicas.

FARACO, C. A. Bechara e os estrangeirismos. In: SANTOS, D. S.; BARBOSA, F. A.; HUE, S. (org.). O sentimento da língua: homenagem a Evanildo Bechara – 90 anos. Rio de Janeiro: NAU Editora, 2020. p. 57-69.
O capítulo, escrito em homenagem aos 90 anos de Evanildo Bechara, faz uma discussão geral sobre gramática e léxico, revisita o olhar dos linguistas sobre estrangeirismos e apresenta as ideias de Bechara sobre o fenômeno, que se caracterizam pelas suas críticas aos puristas e pelo equilíbrio com que os analisa. Marco importante de sua postura analítica veio a público quando criticou, com sua reconhecida autoridade de filólogo e linguista, um projeto de lei proposto na Câmara dos Deputados, em 1999, que visava proibir o uso de estrangeirismos.